Eurico Alexandrino, reconhecido pintor Português contemporâneo, portador de um invejável currículo artístico apresenta, desta feita, um conjunto de obras singular que representa um olhar pessoal e intimista sobre o Porto, cidade que o viu crescer e património cultural da Humanidade.

About

Eurico Alexandrino nasce em 1920, no seio de uma família de médicos, pintores e gente ligada às Artes, designadamente à pintura, desde há várias gerações.

Pela mão de Raul Alexandrino, ele próprio também pintor, teve hipóteses de aperfeiçoamento com um professor de Belas Artes de nacionalidade francesa. Para além disto, aprimorou a sua educação recorrendo à vasta biblioteca e pinacoteca que a família construíra ao longo dos tempos.

Chegada a altura de se inscrever numa escola direcionada para as Artes, frequentou a Escola de Artes Decorativas Faria de Guimarães, atual Escola Soares dos Reis, onde teve como professores alguns dos nomes mais importantes da Pintura, Escultura e Artes decorativas, tais como Guilherme Camarinha (1912 /1996), Sousa Caldas (1894 /1965), entre outros, e onde conviveu com amigos e colegas como Martins da Costa, Júlio Resende, Isolino Vaz, António Machado (arquiteto) e tantos outros. Foi uma época feliz e produtiva.

Começou a trabalhar como professor na Escola Soares dos Reis, no Porto, e na sua carreira de criador de design têxtil, abraçando sempre a pintura. Encontrou o amor da sua vida em Hermínia Quádrio (Mina), que sempre o apoiou, compreendeu e lhe deu uma nova família. Durante grande parte da sua vida, trabalhou em atelier próprio, dando possibilidades a outros artistas que com ele colaboraram. Foi convidado pela Empresa Coelima, onde chefiou toda a parte de criação artística, desde a publicidade, desenho, coloração, etc. Rodeado de muitos amigos, pintores, arquitetos, poetas e atores da nossa urbe, viveu uma vida feliz e plena de entusiasmo na diversidade de temas que lhe despertavam interesse.

Foi feliz até ao dia da morte do seu grande amor, Mina, em 2013. A partir desse dia, pintou arrebatadamente até 2015. Uma queda levou-o a um sofrimento físico e moral enorme e faleceu em 2016.

Pessoa inteligente, escreveu, pintou, esculpiu e foi um grande apreciador de música.

Encontra-se representado em várias colecções particulares no País e no Estrangeiro, nomeadamente: Grã-Bretanha, França, Suíça, Brasil, Holanda, Finlândia, Dinamarca e Estados Unidos.

Se é certo que “uma imagem vale por mil palavras” tal como nos diz o lugar-comum, certo é também que o pintor ao captar e recriar, na sua obra, diferentes momentos pitorescos da cidade, atrai a atenção do observador pela familiaridade que sente com a paisagem, com o momento, possibilitando-lhe atribuir o seu próprio significado a cada imagem, a cada pintura, revivendo-a singularmente no seu imaginário.
Dionísio Oseira, Director Geral
Sogevinus Fine Wines, S.A.

Eurico Alexandrino, reconhecido pintor Português contemporâneo, portador de um invejável currículo artístico apresenta, desta feita, um conjunto de obras singular que representa um olhar pessoal e intimista sobre o Porto, cidade que o viu crescer e património cultural da Humanidade.

Inconfundivel e inesquecível cidade, repleta de riqueza histórica e cultural, o Porto é retratado pelo pintor de uma forma única e viva, nesta exposição intitulada “Agarrar o momento”. De facto, ao contemplar as diferentes pinturas que fazem parte desta exposição, deparamo-nos com diferentes momentos característicos desta cidade, “agarrados” por Eurico Alexandrino e transferidos para a tela, através de um misto de cores e tonalidades que tornam cada imagem, cada traço tão familiares e tão próximos de todos os que conhecem o Porto. Da obra fazem parte retratos e situações que avivam memórias e que despertam a imaginação de quem fielmente se deixa perder na imensidão de vida contida em cada pintura. Os momentos captados representam, entre outros, vivências do povo desta cidade e de quem a visita, situações do quotidiano e monumentos de grande valor cultural e arquitectónico. Através desta obra vemos e sentimos o Porto que conhecemos e que queremos revelar ao mundo.

Se é certo que “uma imagem vale por mil palavras” tal como nos diz o lugar-comum, certo é também que o pintor ao captar e recriar, na sua obra, diferentes momentos pitorescos da cidade, atrai a atenção do observador pela familiaridade que sente com a paisagem, com o momento, possibilitando-lhe atribuir o seu próprio significado a cada imagem, a cada pintura, revivendo-a singularmente no seu imaginário.

“Agarrar o momento” é, certamente, uma exposição que marca não só o percurso artístico de Eurico Alexandrino, mas que ficará, também, na memória de todos aqueles que tiverem oportunidade de a contemplar e de fazerem a viagem pelos lugares e "momentos" mais marcantes desta cidade que encanta -o Porto.

Maria de Fátima Lambert

“Eu, que tantas vezes me sinto tão real como uma metáfora ...” Álvaro de Campos, Poesias

Já entrado o milénio, persiste uma concatenação de tendências picturais que, concertadas a esteticismos singulares, preservam a pluralidade de criações convertidas em “afinidades identitárias”. Quando se olham as imagens pintadas, cuja matriz reitera a exigência do desenho, confrontámo-nos com um mundo completo: figuras e mitos históricos, paisagens e vistas do urbano. A referencialidade geográfica torna-se cúmplice, no presente, aos protagonistas a quem a duração garante propriedade artística. A componente ilustrativa, constata-se numa das séries presentes nesta exposição, garantindo uma abordagem que ultrapassa a simples acentuação de tópicas que a memória tem e a cultura providencia. Assim, as estórias e a sua explicitação visual acautelam a cumplicidade que apenas certa sabedoria autoral confere.

João Martins da Costa

Eu e Eurico conhecemo-nos alunos da antiga Faria Guimaráes nos verdes anos de meninos e moços. Frequentávamos cursos diferentes, ele debuxo, eu preparação para os cursos de Belas-Artes, mas tínhamos um gosto comum: o do desenho, que, nas aulas e fora delas praticávamos assiduamente. Daí que esse gosto em fazer e mostrar, a determinada altura, se tornasse um hábito que se prolongou por grande parte da nossa vida escolar. O nosso “club” funcionava como uma espécie de academia livre e isso dava um estímulo tão especial que outros mais se foram juntando. Os desenhos do Eurico eram sempre os mais apreciados e a admiração era merecida. Tinham sempre um acabamento, uma subtileza de traço, uma paciência - eu diria, carinho - que nenhum de nós igualava. Por isso, em cada obra que vai assinando, continua a pôr o cunho e as qualidades que nele sempre admiramos. E disso não tenho qualquer dúvida.

Teu Amigo,

Armando Pinheiro

O humanismo e a arte fundem-se naturalmente, estimulam-se mutuamente. Assim acontece ao meu ilustre Amigo Eurico Alexandrino. A capacidade de observação fá-lo descobrir, por exemplo, a RIBEIRA, ora romântica ora realista, encostada ao sublime rio Douro, ali à beira da velha e sempre nova Ponte férrea, onde as casas antigas quase empoleiradas e as ruelas estreitas, com uma população simples e alegre, conciliam o timbre da velha história do Porto com uma actualidade tipica. Mas ao Artista não basta a argúcia dessa observação: ele sonha, e penetrou no imaginário árabe, montado no seu corcel branco, e, voando, rasgou vertiginosamente a rota enigmática das MIL E UMA NOITES. É assim que o talento de Eurico Alexandrino vem de novo ter connosco, revelando a força da sua criatividade e fazendo-nos sonhar também. Bem haja!

Fernando Figueirinhas

Eurico Alexandrino revela-se um pintor excepcional. Dá o difícil passo definitivo do academicismo para a abstracção, sem contudo deixar o registo do lugar retratado. Há na arte de Eurico Alexandrino uma preocupação permanente com a emoção que a paisagem lhe traz: cores distantes da realidade fria perenizada pelo tempo. Consegue um jogo fácil de cores e um subtil desenho que se perde na abstracção sugerida. É como se pegasse num bocado da paisagem e a transportasse para a tela, arranjando-a a seu próprio modo, dando-lhe vida e sentimentos próprios - os seus.

Paula Alexandrino

Eurico Alexandrino, no seu percurso, foi libertando a expressão relativamente ao Realismo tradicional. Elementos básicos da comunicação plástica como a textura, a cor, a forma, o espaço, a linha, trabalhados de uma maneira pessoal, enfatizam a originalidade criativa deste pintor. A liberdade plástica, dos últimos trabalhos, sublinha e individualiza a sua própria linguagem. O pintor transformou as suas obras numa expressão pessoal, apenas catalogável como a pintura de Eurico Alexandrino.

Vitória Guilherme

Os Quadros do Eurico e da Amélia Alexandrino são actos de dizer, sem falar; são mensagens sentidas e perseguidas sem serem escritas, são códigos de paixão, de nascer e renascer, de sabedoria e espanto, são teias criadas, sussurradas, construídas por histórias, códigos, mulheres e homens, bichos e imagens de obscuros prazeres. São o outro lado da face do espelho, o oculto, o além da realidade. Imagens de cor, forma, luz que denotam paixão, que falam de desamores e encantamentos e de histórias vão tecendo e cruzando sonhos e no seu saber vão desenrolando contos e lendas, mensagens fantásticas desenhos alquímicos e tudo aí se combina em registos de memória e acontece descer às profundezas do ser, ao inconsciente, ao magma de desejos, para poder emergir de novo com outro olhar, outro entendimento sem falar mas fruindo empatias e surpresas de um novo-ler, ver e saber sonhar através de ínfimos raios de luz proveniente de tapeçarias/quadros.

Isaura Machado

Em Eurico Alexandrino, o processo da criação parte do que está criado - a Ribeira e as “Mil e uma Noites”. Na Ribeira canta a magia de tudo o que a rodeia. Ribeira banhada pelo Douro - cinza - ouro. Para que ninguém esqueça. Das “Mil e uma Noites” transmite os caracteres e costumes orientais. Sherazade - símbolo das mulheres mantidas em cativeiro num harém. Ali-Babá, os vizires, Aladino e a sua lâmpada mágica. Os odores, a languidez, o calor estão contidos nestes quadros onde se mergulha para obter o tesouro apetecido - o sonho -

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